sábado, 15 de março de 2014

Coisas Mundanas

Recentemente ouvi uma coisa que me deixou bem preocupado e pensativo, e com certeza a história é polêmica e pode ser muito mal interpretada pelos que atualmente se dizem "crentes". Eis o relato verídico com nomes ilustrativos apenas, se você ver seu nome relaxe, não é nada pessoal - em seguida deixo minha opinião:
O cenário aqui é uma cidade mediana na periferia do nosso Estado fortemente influenciada pela crença protestante, talvez uma das cidades com o maior número de "igrejas" no Estado. Uma família protestante, composta por uma criança de uns 10 meses vividos que aqui chamarei de Jamil, filho de pai protestante recentemente reconduzido e reconvertido ao templo cujo nome é Ausêncio, sua esposa também gospel e canela de fogo Apurinã e sua vó (vó de Ausêncio) altamente tradicional pentecostal chamada de Benemérita. 
Pois bem, tudo começa com o nascimento de Jamil - fato que faz Ausêncio retornar à "casa de Deus" - afinal de contas, ele não queria criar seu filho longe dos caminhos do Senhor. Antes disso Ausêncio vivia uma vida normal com umas cervejinhas aqui e ali, uns vídeo-games, uma peladazinha (de futebol é claro) e coisas do tipo... Foi só Jamil nascer, Ausêncio e sua esposa Apurinã resolvem se filiar a um templo religioso para garantir a salvação eterna e um melhor exemplo para o filho.
Depois de ver o bisneto de 10 meses doente, Benemérita recebe uma "revelação de Deus" e afirma a Ausêncio que se ele não deixar os vídeo-games e o futebol Deus iria levar seu filho. O cenário é dramático, e apesar de não mais beber cerveja - Ausêncio ainda gosta de nas horas vagas assitir uma tv, jogar um pouco - afinal, ninguém é de ferro e o pobre trabalha muito e precisa também de lazer, e claro, ele não gosta nem um pouco da revelação vontade de sua vó Benemérita. Agora para piorar a situação e assustar mais ainda o nosso guerreiro Ausêncio, sua esposa também recebe uma revelação, que há muitos dias estava querendo - afinal, é sua vontade - "Deus" diz a ela o mesmo, seu esposo tem que deixar os jogos lazer, senão seu filho vai morrer de uma gripe.
E agora? Como vai agir o nosso protagonista vítima de uma "ameaça divina" manifestada através de sua esposa e de sua vó? O que se passa em sua cabeça, visto que é exatamente esse tipo de coisa que a religião ensina?
Por favor querido leitor(a), não me interprete mal, a maneira como descrevi a situação e as palavras usadas são apenas para deixar o texto mais cômico, já que a situação é tão dramática. Esse tipo de relato acontece a todos os momentos em todo o país no cenário religioso, principalmente gospel.

Sinceramente eu não vejo textos bíblicos que justifiquem tais profetadas. Aliás, o que é mesmo que as Escrituras tem contra o esporte? Francamente muito já li a bíblia e nunca encontrei algo que fale especificamente contra ele - se alguém souber: me avisa por favor, sou leigo! E vídeo-game, o que nos faz pensar que ele é abominação diante de Deus - o Criador - para condenarmos rigidamente quem faz uso dele nas horas vagas?

Antes que alguém venha me dizer, ah irmão Ricardo, mas as Escrituras falam: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Sim sim, conheço bem este trecho, mas pergunto-vos: jogar futebol é amar o mundo? praticar lazer de vez em quanto é amar o mundo? Além disso, o que é mesmo amar o mundo segundo as Escrituras?

É plenamente comum quando alguém muda de religião, fazer uma dieta de coisas em sua vida (que praticava ou consumia), e isso o faz pensar estar mais próximo ou fiel a Deus. A propósito santidade mesmo conforme a religião é não fumar, não beber, não jogar, não sair, não assistir, não tocar - não ter liberdade para escolher. Santidade mesmo segundo a religião é visitar o templo com frequência, ter carteirinha de membro, ter cargo, ser dizimista, ser submisso ao pastor, ao padre, ao papa, depender da assistência religiosa para se comunicar com Cristo, depender da visita à igreja para se encontrar com Deus, depender de um ministro do "evangelho" para receber a "palavra de Deus". Santidade mesmo que "agrada" a Deus é se achar justo pelas próprias ações, é fazer igual ao fariseu dentro do templo orando de si para si mesmo e agradecendo a Deus por não ser pecador como os demais; santidade mesmo é se prostrar diante de uma pessoa, ou diante de uma imagem de pessoa, ou de um monte de tijolos (púlpito). Misericórdia!

Para muitos santidade ainda é não usar calça (mulheres), e não vestir saia (homens), é não cortar o cabelo. Como ficam os países onde a tradição é exatamente o oposto? Tá todo mundo perdido, vai todo mundo pro inferno por causa de tradições humanas, é isso? E quem garante que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Filho de Deus, não usou vestido quando aqui na terra?

Para não me tornar chato, vou parando por aqui - mas antes quero deixar claro: não sou a favor da libertinagem, sou a favor sim - da liberdade em Cristo!

Encerro com um trecho de um folheto da Editora Restauração e uma passagem das Escrituras, por favor - deixem suas opiniões - aprendemos uns com os outros.
Existem somente dois reinos. O reino deste mundo e o Reino de Deus. O reino deste mundo é constituído pelo sistema que lidera a religião, a política, a economia, a tecnologia, a ciência, a cultura, e todas as outras demais áreas humanistas existentes. Tudo o que está voltado para o homem, mesmo as coisas de caráter muito nobres, pertencem ao reino deste mundo. Todas as coisas que provêem do homem e estão sob o comando ou direção dele pertencem ao reino deste mundo.

"Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: "Não manuseie! " "Não prove! " "Não toque!"? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois e baseiam em mandamentos e ensinos humanos (são tradições apenas). Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne".
Paz seja com todos vós! 

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