sexta-feira, 9 de maio de 2014

A Grande Questão do Caminho

A GRANDE QUESTÃO DO CAMINHO, É COMO VOCÊ ANDA NO CAMINHO.

A gente costuma associar a vida a uma estrada... Há aqueles jargões cansativos que toda hora nos acomete do tipo: na estrada da vida. E é, sem dúvida alguma, algo útil para nós, pensar que a vida é alguma coisa que se assemelha a uma estrada. A imagem da estrada é útil para entendermos a idéia do caminho. É útil porque aponta numa direção, numa via, e é útil porque há um caminho na estrada, mas não há uma estrada no caminho. Ou seja, a imagem da estrada me remete para o fato de que estou andando na direção de algum lugar, isso me é útil porque na vida não existe essa opção de não se estar andando. Não existe essa chance de não ser e de não ir. De outro lado, essa imagem d
a estrada é útil para nós porque nos mostra isso.

No caminho de Deus que a gente anda, não existe uma estrada fixa, de modo algum. Na mente da gente, na maioria das vezes, quando se pensa em andar com Deus, o que se apresenta é uma idéia de uma estrada fixa. Aí alguém chega e diz assim: "Jesus é o caminho". Aí o sujeito imagina Jesus como sendo a BR-1 de Deus, um caminho fixo. Aí você diz: "Como é esse caminho?". Então a pessoa te apresenta o manual de doutrinas, e você aprende aquelas doutrinas. Chega até o ponto de pensar que Deus não te ouviu, se você não mencionar a Trindade na oração: "Pai eu te peço em nome do teu Filho, no poder do Espírito Santo". Se não usar as três nomenclaturas, Deus ficou chateado. Já vi gente ser interrompida ou, após uma oração, receber admoestação de alguém que disse: "Escuta, você não falou em nome de Jesus". Porque se você não completar o pacote da estrada com todas as sinalizações dela, parece que você não está indo a lugar nenhum.

Nesse sentido, a imagem da estrada não nos ajuda, porque nós não estamos caminhando num caminho fixo. Ele disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Não há fixidez, o que há é movimento na Verdade que conduz a gente na direção da Vida sempre. A estrada física conforme eu lhes disse é fixa. O caminho espiritual, por seu turno, é vivo e não é fixo. No caminho espiritual não existe fixidez da estrada, ou seja, o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente muda o caminhante e muda a estrada. Numa estrada física, fixa, não interessa como o caminhante caminha, a estrada é a mesma. Ele pode caminhar de maneira apressada, ou lenta, agitada, angustiada, calma, contemplativa, olhando em volta ou de maneira completamente alienada, a estrada é a mesma... Ele pode botar no automático e deixar ir. No mundo espiritual, no entanto, não é assim, não existe absolutamente nenhum chão fixo, por isso é que o justo vive pela fé, pisa no chão da fé e sabe sobretudo isto: o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente, muda o caminhante e muda a estrada. A estrada, acerca da qual a gente está falando hoje, é a existência de cada um de nós. Cada um de nós está numa estrada.

Continua...

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